Os Homens estão loucos por Adriana Janaína Poeta/ in SCity/ 50 Contos

Os homens estão loucos.
Loucos de pedra e  Do Re,
loucos de marré deci.
Os homens perderam
completamente a razão.
Vendem dignidade,
atentam contra a vida e a moralidade,
não a moral comum,
discutível e variável,
que essa já há muito partiu,
mas a inocência da infância,
relicário cheio de beleza e esperanças...

Os homens estão loucos!...
Loucos, não de rasgar notas de cem...
Não, muito pelo contrário.
Loucos por negociar
o que nunca terá preço.
Bêbados de perversidade e insanos,
porque suas almas já pereceram.
Estão   podres.    

Os homens, esses dementes,
que andam entre os lúcidos,
não normais, mas lúcidos,
porque nesse mundo torto,
normalidade total não existe,
engravatados de Perfeitos,
embora há muito tenham apodrecido
pela maldade e ganância...

Ah, sim...Os homens estão bizarros,
Cheios de perfídia e afogados em propinas.
Nunca, nunca será o bastante.
Nunca será demais...
E vendem tudo o que já não possuem,
honra, integridade e vida alheia.
Não importa se impúberes entrem
na mesa de negociação.
Loucura! Completamente insanos...

Os homens estão ocos.
Não têm mais coração, razão ou decência.
O senso de justiça há muito os abandonou,
não sabem mais o que é:
- Justiça? Onde compramos?
Como se parece? Como é?...
Para eles, é um mistério...

E sem camisas de força,
já que se julgam acima do mundo,
giram a roleta das apostas,
apalpando o saco de moedas:
- Leve, muito leve...Preciso de mais...
Ah, perversos celerados...

E nesta completa insanidade,
que a quem não  contagia,
busca de todas as formas ameaçar e calar,
desfilam os podres insanos,
vendendo a infância, já perdida,
ameaçando os lúcidos resistentes,
tramando mil armadilhas...

Ah, os homens estão mesmo  loucos...
Louquinhos de pedra!...
Porque entre os lúcidos,
existem os mais loucos,
loucura boa e sagaz,
que segue rechaçando e denunciando,
gritando bem alto aos quatro cantos:
-Veja! Olhem os reis, como estão loucos!

E nus, endoidecidos e  bravos,
os loucos reis, olham ao redor,
porque julgam-se acima da plebe 
que come feijão e arroz.
- Loucos? Mas, como se somos  reis?...
E saem correndo, apressados,
apalpando as suas moedinhas brilhantes,
manchadas de sangue de inocentes,
banhadas das  lágrimas  
das vítimas que têm razão e lucidez.

- Lucidez? Razão? Inocência? –
Os loucos indagam. – Mas, afinal o que é?
Como parece? Onde compramos?
Qual é o preço e que gosto tem?
Quantas moedas pagam?...
Ah, sim. Os homens estão louquinhos
de ziriguidum Bum Bum.
(Os Homens estão loucos por Adriana Janaína Poeta/ in SCity/ 50 Contos)
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